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Uncategorized admin em 13 Mai 2010

O marxismo fora do lugar

BIANCHI, Alvaro. O marxismo fora do lugar. Política & Sociedade, Florianópolis, v. 9, n. 16, p. 177-203, 2010.

Resumo: O artigo discute a dificuldade presente para o desenvolvimento de um marxismo latino-americano. Essa dificuldade pode remeter à própria obra de Karl Marx e Friedrich Engels e à filosofia da história que se faz presente em alguns momentos dessa obra. A análise da situação irlandesa e da comuna rural russa, entretanto, permitiram a esses autores e, principalmente a Marx romper com essa filosofia da história. A seguir o artigo discute uma tentativa de interpretação da América Latina e particularmente do Brasil com base na obra de Marx: aquela desenvolvida no âmbito do chamado Seminário d’O Capital. Neste Seminário gestou-se uma forma de apropriação da obra de Marx na qual se destacavam seus aspectos metodológicos. Apesar das importantes contribuições dos autores vinculados a esse seminário, dentre os quais Fernando Henrique Cardoso e sua análise das situações de dependência, essa apropriação da obra de Marx revelou claros limites. Argumenta-se, por último a necessidade do marxismo construir uma unidade profunda entre teoria e prática, pesquisa teórica e pesquisa empírica para superar os impasses da interpretação da América Latina.

Abstract: This article discusses the difficulties that exist for the development of a Latin American Marxism. This difficulty may flow from Marx and Engels` work itself, and the philosophy of history that emerges in several moments of this work. Nonetheless, the analysis of the situation in Ireland and of the Russian rural commune allowed these writers – and Marx in particular – to go beyond this philosophy of history. We then move on to discuss one attempt to interpret Latin America, and Brazil in particular, based on Marx`s work: one which was developed within the ambit of the “Seminário d’O Capital.” In this seminar, a form of appropriating Marx’s work giving salience to methodological aspects was promoted. In spite of the important contribution of the authors linked to this seminar, among them
Fernando Henrique Cardoso and his analysis of situations of dependence, this appropriation of Marx`s work revealed clear limitations. Thus, we end with an argument on the need for Marxism to build a deep link between theory and practice, theoretical and empirical search in order to go beyond existing impasses in the interpretation of Latin America.

Uncategorized admin em 14 Dez 2009

Gramsci e a revolução passiva

Está disponível on-line neste blog o artigo

BIANCHI, Alvaro. Revolução passiva: o futuro do pretérito. Crítica Marxista, São Paulo, n. 23, p. 34-57, 2006.

Revolução passiva: o pretérito do futuro
Resumo: Ao longo dos Quaderni del carcere, redigidos por Antonio Gramsci, é possível identificar uma fusão entre filosofia, história e política. Tal fusão aparece com toda sua força no conceito de revolução passiva. O ponto de partida de Gramsci é a análise do Risorgimento italiano e da transição da burguesia ao poder através de ondas reformistas sucessivas, evitando uma explosão revolucionária como no caso francês. Sem poder exercer uma hegemonia plena que lhe permitisse incorporar a seu projeto as demandas das classes subalternas, restaria a burguesia o exercício de uma hegemonia restrita sobre o conjunto das classes dominantes através da mediação do Estado. É essa nova relação entre Estado e sociedade, política e economia, captada pelo conceito de revolução passiva que permitirá sua utilização deste para a análise do fascismo, do americanismo e do fordismo. Através desses materiais históricos Gramsci construirá uma chave interpretativa para as formas de atualização da dominação capitalista no mundo contemporâneo.
Palavras chave: revolução passiva, Risorgimento, fascismo, americanismo, fordismo, Antonio Gramsci

Passive revolution: the past of the future
Abstract: Throughout the Quaderni del carcere, written by Antonio Gramsci, is possible to identify a fusion between philosophy, history and politics. Such fusion appears strongest in the concept of passive revolution. Gramsci’s starting point is the analysis of the Italian Risorgimento and the bourgeois transition to the power through successive reformist waves, preventing a revolutionary explosion like the French case. The bourgeoisie was not able anymore to bring into play a full hegemony that allowed it to incorporate to its project the subaltern class demands. In this case, the exercise of a restricted bourgeois hegemony over the set of the ruling classes through the mediation of the State remains the only possibility to this class. This new relation caught for the concept of passive revolution between State and society, and between politics and economy, will allow its use for the analysis of the fascism, the americanism and the fordism. Through these historical materials Gramsci build an interpretative key for the updated forms of the capitalist domination in contemporary world.
Keywords: passive revolution, Risorgimento, fascism, americanism, fordism, Antonio Gramsci

Uncategorized admin em 08 Nov 2009

Gramsci na revista CULT

Acaba de ser publicado no número 141 da revista CULT o dossiê “Antonio Gramsci: reflexões do cárcere”. A revista pode ser adquirida em bancas de jornal. Artigos de Giorgio Baratta, Ruy Braga, Rosemary Dore, Lincoln Secco, Alvaro Bianchi e uma entrevista com Carlos Nelson Coutinho.

O artigo Realismo e política pode ser visto no site da revista.

Uncategorized admin em 11 Out 2009

Entrevista na Rádio da Unesp

Entrevista sobre o livro O laboratório de Gramsci no programa Perfil Literário da Rádio Unesp, dia 23 de julho de 2009. Entrevistador: Oscar D’Ambrosio.

intervenções admin em 20 Jun 2009

“A história ensina, mas não tem alunos”

Portal do PSTU, 19/6/2009

Alvaro Bianchi

No saguão do prédio da História e Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) há uma faixa com os dizeres: “’A história ensina, mas não tem alunos’. Gramsci. Fora a PM do Campus!!!”. A faixa foi afixada após a ocupação do campus pela Polícia Militar.

Aqueles que afixaram a faixa já foram publicamente chamados de “baderneiros”, “radicais” e “maus estudantes”. Quem conhece pessoalmente os estudantes que se encontram na linha de frente das manifestações das universidades estaduais paulistas sabe que isso é uma bobagem. São muitas vezes bolsistas de iniciação científica, membros de grupos de pesquisa, alunos destacados. Mas mesmo que não fossem com sua faixa mostraram que seus adversários teriam muito a aprender com eles.

A faixa é filologicamente precisa e demonstra não apenas o conhecimento de uma obra complexa como, também, sua razão de ser. Antonio Gramsci escreveu essa passagem em março de 1921. Ela é parte de um artigo publicado no jornal L’Ordine Nuovo, intitulado “Italia e Spagna”. Trata-se de uma denúncia do fascismo, mas também de uma análise precisa do caráter internacional desse movimento reacionário. O artigo começa assim: “O que é o fascismo, visto em escala internacional? É a tentativa de resolver os problemas da produção e da troca através de rajadas de metralhadoras e tiros de pistolas”.

O fascismo, o autor do artigo sabia muito bem, não se preocupava apenas com os problemas da produção e da troca. A reforma fascista da instrução pública dirigida em 1923 por Giovanni Gentile e a criação do Istituto Nazionale Fascista di Cultura, em 1925, atestam sua preocupação em imprimir uma direção cultural à sociedade italiana. Mas tais empreendimentos não deixavam de estar amparados, também eles, em metralhadoras e pistolas.

Em seu artigo contra o fascismo Gramsci protestava contra a crença, presente na Itália e na Espanha, de que os problemas econômicos pudessem ser resolvidos por meio da violência militar das classes dominantes. Para aqueles que alimentavam essa crença, a história não valia de nada. Ela já havia ensinado que não é desse modo que os problemas fundamentais da sociedade encontrariam solução, mas esse ensinamento não encontrava muitos alunos.

A história está a nos ensinar de novo. Metralhadoras e pistolas voltaram a serem usadas, desta vez contra estudantes funcionários e professores da Universidade de São Paulo. É preciso deixar a ingenuidade de lado. A violência policial na USP não foi gratuita. A reitora Suely Vilela da USP não está fora de controle e o governador José Serra não está desinformado. Projetos diferentes de universidade encontram-se há anos em conflito.

Esses projetos antagônicos já estavam enfrentados quando o governador José Serra tentou decretar o fim da autonomia das universidades em 2007 tendo sido derrotado pelo movimento de estudantes, funcionários e docentes. Eles reapareceram com a proposta da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, com a ruptura unilateral de negociações com as entidades representativas do movimento de funcionários, docentes e estudantes e com a demissão de um sindicalista da USP que se encontrava no exercício de seu mandato.

Os governos do estado de São Paulo juntamente com os reitores das universidades paulistas querem transformar radicalmente a USP, a Unesp e a Unicamp. Querem cindir a universidade criando ao lado de cursos de excelência, cursos destinados a formar mão-de-obra semiqualificada; querem direcionar os investimentos para uma pesquisa de retaguarda denominada eufemisticamente de “operacional”; querem esvaziar a capacidade crítica das atividades que tem lugar nessas instituições; querem transferir conhecimento e know-how a preços subsidiados para empresas que não estão interessadas em investir nisso mas que estão interessadas nos lucros que podem proporcionar; querem diminuir a participação dos recursos públicos no financiamento da pesquisa, do ensino e da extensão.

Na universidade há os que apóiam essas reformas conservadoras e há os que são contrários a elas. No dia 9 de junho a polícia reprimiu violentamente manifestantes contrários a elas dentro do Campus da universidade atirando a balas de borracha, gás lacrimogêneo e bombas de concussão. O prédio no qual se encontrava aquela simbólica faixa foi militarmente sitiado. Os fatos são eloqüentes. Aqueles que apóiam as reformas conservadoras se mostraram dispostos a recorrer à violência policial para defender suas idéias.

“A ilusão é o alimento mais tenaz da consciência coletiva”, afirmava Gramsci, pouco antes de concluir o texto citado com a frase que hoje encontramos na faixa dos alunos. Aqueles que desejam essas reformas conservadora parecem iludidos de que com “rajadas de metralhadoras e tiros de pistolas” se constrói uma universidade. Deveriam ouvir os alunos. Estes conhecem melhor a história e sabem que o lugar da PM não é no Campus.

Uncategorized admin em 19 Mai 2009

“O laboratório de Gramsci” em discussão

Sofia Moutinho - Agência UFRJ de Notícias – Praia Vermelha
agn2pv@reitoria.ufrj.br

Nessa terça-feira, dia 5 de maio, a Escola de Serviço Social (ESS) da UFRJ recebeu Alvaro Bianchi, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para a divulgação de seu livro O laboratório de Gramsci – Filosofia, História e Política, seguida de um debate sobre o tema com os professores Carlos Nelson Coutinho, da ESS, e Virgínia Fontes, da Universidade Federal Fluminense (UFF). No livro, Álvaro procura através de um trabalho de filologia da obra Cadernos do Cárcere, escrita por Gramsci na prisão, rever alguns conceitos do pensador italiano para estabelecer uma reflexão sobre filosofia, política e história no pensamento gramsciano.

A partir de um estudo minucioso dos cadernos e notas de Gramsci, Alvaro procura debater conceitos já muito difundidos que, segundo ele, fazem parte do vocabulário intelectual do Brasil, como, por exemplo, “hegemonia”, “bloco histórico”, “intelectual orgânico” e “sociedade civil”. O autor acredita que algumas dessas ideias ainda não são bem compreendidas e por isso partiu para uma escavação de conceitos nos Cadernos do Cárcere a partir do estudo das obras que o influenciaram. “É necessário rever esses autores, ver a maneira como Gramsci os compreende. Essa é uma exigência metodológica e um grande desafio, pois nós da América Latina não temos familiaridade alguma com diversos autores que são matéria-prima de Gramsci em seu laboratório”, conta Alvaro.

O autor se mostra insatisfeito com a apropriação do pensamento de Gramsci dominante no Brasil e acredita que aqui o pensador é lido como um caminho para sair do marxismo e chegar ao pensamento liberal de autores como Habermas. “Hoje Gramsci é tido como um precursor de Habermas, e eu acho muito estranho que a ideia gramsciana de sociedade civil seja aproximada da ideia habermasiana de sociedade civil”, exemplifica Alvaro.

Como exemplo de má interpretação de Gramsci, Alvaro cita os conceitos de sociedade civil e sociedade política. Segundo ele, pode haver dificuldade de compreensão desses conceitos devido à complexidade de significados no que Gramsci denomina Estado. Para o autor é grosseiro atribuir a Gramsci a interpretação habermasiana de que sociedade civil e sociedade política são antagônicas. Para ilustrar essa ideia ele cita a metáfora do centauro em que não é possível separar a metade homem da metade animal sem que o centauro deixe de existir. “Elas coexistem, onde há sociedade civil há sociedade política”, diz o autor.

Alvaro vai contra a corrente que defende que a coerção só existiria na sociedade política, em situações como a ditadura, e defende que na sociedade civil ela também existe. “No âmbito da sociedade civil podemos encontrar associações privadas que estão claramente associadas a impulsos totalitários. Sobre essa violência temos como exemplo as seitas criacionistas nos EUA, a falta de liberdade política devido à pressão econômica e o impulso político que concretizou o governo Bush.”

No entanto, o professor Carlos Coutinho discorda da posição de Alvaro e defende que a sociedade civil não é tão próxima da política quanto o autor faz parecer que seja, pois na civil há a possibilidade de não-adesão à hegemonia. “Em uma sociedade liberal democrática há a voluntariedade, o indivíduo pode ou não aderir aos aparelhos privados de hegemonia, o que não acontece no estado. Não se pode deixar de pagar o imposto de renda, por exemplo, porque não se consente.”

Já Virgínia Fontes possui uma posição intermediária e argumenta que o que vem acontecendo é uma união da sociedade política com a civil para a coerção: “A tendência é o crescimento simultâneo das forças de coerção e violência estatais e privadas com o apoio do Estado.” A estudiosa acredita que esse movimento acontece em meio à aparente democracia eleitoral movida a consenso que impera atualmente.

— A revolução tem que ser feita com cabeça, tripa e coração. Não pode se esgotar em um horizonte intelectual ou em uma mirada afetiva — diz Virgínia, que propõe a análise sobre o momento atual, além da leitura de Gramsci.

Em resposta, Alvaro insiste na importância da compreensão dos conceitos gramscianos e conclui: “Creio que é possível mais um retorno a Gramsci e que para tal nós precisamos aperfeiçoar nossos métodos. Um cuidado com a construção dos conceitos pode trazer nova luz que ainda não foi dada. Uma luz que, a meu ver, é a luz dos próprios cadernos de Gramsci.”

Uncategorized admin em 07 Mar 2009

Existe uma teoria marxista da política?

Mesa redonda realizada no 30º Encontro Nacional da Associação de Pós Graduação em Ciências Socias (Anpocs). Nesse vídeo é discutido o desafio que Norberto Bobbio lançou ao marxismo, questionando a existência de uma teoria marxista da política.

Caso não consiga acessar esse vídeo experimente clicar aqui

recursos admin em 05 Mar 2009

Como fazer um levantamento bibliográfico

Nos momentos iniciais de toda pesquisa é necessário fazer um levantamento da bibliografia existente sobre o tema. Esse levantamento permitirá mapear os principais problemas de pesquisa enfrentados pelos investigadores, as soluções que deram a esses problemas e as dificuldades que enfrentaram para tal. Esclarecerá, também, quais são os problemas que permanecem ainda sem resposta ou cujas respostas não são plenamente satisfatórias. Para aqueles interessados na história da ciência ou das idéias esse levantamento permitirá, ainda, compreender a evolução de um campo de estudos.

Mas se a pesquisa está dando ainda seus primeiros passos, localizar essa bibliografia pode apresentar dificuldades. Umberto Eco relatou as dificuldades que um estudante que não dominasse um tema poderia encontrar para fazer uma pesquisa bibliográfica se estivesse distante de um grande centro universitário ou se tivesse pouco tempo para freqüentar a biblioteca (ECO, 1989, p. 62-77). A personagem criada por Eco em sua narrativa tinha as mesmas dificuldades aqui pressupostas para um jovem pesquisador: tinha um conhecimento muito reduzido sobre o tema que lhe interessa e um tempo reduzido à disposição. Com os recursos que a pesquisa pela internet colocou a disposição a deliciosa aventura de Eco na biblioteca de Alessandria na década de 1970 parece uma perda de tempo. Mas embora possamos atualmente fazer tudo de modo mais rápido e eficiente, hoje, assim como antes, se começa pelo mesmo lugar: a biblioteca.

I

O melhor começo é sempre a biblioteca da universidade. Felizmente hoje é possível acessar o catálogo das bibliotecas sem sair de casa. Os acervos encontram-se informatizados facilitando enormemente a pesquisa. É necessário, entretanto, circunscrever a investigação para evitar acessar material que não diz respeito diretamente ao tema de interesse. Nessas bases é possível localizar dicionários temáticos, enciclopédias e coleções especializadas e uma visita às suas dependências permitirá avaliar a qualidade desse material e sua utilidade para a pesquisa. No Dicionário de Política, editado por Norberto Bobbio, Nicola Mateucci e Gianfranco Pasquino, por exemplo, cada verbete é acompanhado de uma bibliografia preliminar. Também há bibliografias temáticas no Dicionário do Pensamento Marxista, de Tom Bottomore; no Dicionário Temático do Ocidente Medieval, de Jacques Le Goff e Jean-Claude Schmitt; no Dicionário do Brasil Colonial e no Dicionário do Brasil Imperial, de Ronaldo Vainfas; no Dicionário Hegel, de M. J. Inwood; no Dicionário Rousseau, de N. H. J. Dent, dentre outros. Coletâneas temáticas intituladas Readers ou Companions, também são muito úteis, como por exemplo, o The cultural studies reader, editado por Simon During, ou A companion to cultural studies, de Toby Miller. Além de discutir os principais problemas de pesquisa dos tópicos tratados esses volumes trazem, geralmente, uma abrangente bibliografia. Uma excelente opção de pesquisa são os artigos de revisão bibliográfica. Na área de ciências sociais, o Boletim de Informações Bibliográficas publicado pela Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais (Anpocs) publica excelentes artigos mapeando a bibliografia de temas selecionados.

II

Registre sempre as informações bibliográficas selecionadas de modo completo e de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Esses registros completos facilitarão a localização das obras e permitirão um uso mais intensivo da bibliografia. Existem alguns softwares que podem ajudar nessa tarefa, como o EndNote e ProCite. Destaque-se, também, o JabRef, um software gratuito e fácil de usar que permite exportar as referências em vários formatos, mas que infelizmente ainda não permite gerá-las em formato ABNT. As novas versões do Office e do BrOffice incluem pacotes de gerenciamento de referências bibliográficas, mas também não incluem a possibilidade de apresentá-las de acordo coma as normas da ABNT.

III

Com os dicionários, as enciclopédias, os volumes ou coleções especializadas ou temáticas é possível mapear a bibliografia fundamental de um tema, mas às vezes tais ferramentas de pesquisa não existem ou não estão à disposição. Infelizmente não existe, por exemplo, um Dicionário da Era Vargas. Mas suponhamos que o tema da pesquisa seja algum aspecto da política na Era Vargas e que o levantamento bibliográfico deva contemplar o maior número de livros sobre esse tema. A pesquisa, nesse caso, poderá se tornar mais difícil e é preciso avançar com cuidado. Se na página de pesquisa da Base Acervus do Sistema de Biblioteca da Unicamp for requisitada a pesquisa da palavra “Vargas” em todos os campos o resultado será 1.363 registros, mas a grande maioria não estará relacionada ao tema. Uma pesquisa pela mesma palavra no campo Título retornará 185 títulos, dentre os quais a peça escrita por João do Rio em 1912, A bela madame Vargas, que obviamente não será relevante para a pesquisa sobre o tema. Uma pesquisa combinada com a palavra “Vargas” no campo Título e a palavra política no Assunto produzirá 91 registros, um número de obras mais fácil de trabalhar, mas ainda assim muito grande. Pode-se tornar esse levantamento inicial ainda mais amplo visitando o acervo material da biblioteca. Como as prateleiras estão organizadas por tema, segundo a classificação Dewey (aqueles números que aparecem nas etiquetas das lombadas dos livros) ao lado de um livro localizado na busca pela internet pode estar outro igualmente interessante que não havia sido até então encontrado. Ao todo o pesquisador terá reunido, provavelmente, em um primeiro levantamento, mais de uma centena de títulos. Mas para uma seleção mais rigorosa será necessário criar um filtro que permita selecionar o material verdadeiramente relevante.

IV

A pesquisa nos periódicos especializados permitirá selecionar de modo mais rigoroso os livros. Ao contrário dos livros, que podem ser publicados sem passar por nenhum processo de avaliação ou seleção, os artigos publicados nos periódicos acadêmicos especializados são avaliados por outros pesquisadores antes de ser publicados. Cada área tem um conjunto de periódicos mais importantes e mais lidos nos quais a maior parte dos pesquisadores prefere publicar. Duas ferramentas podem ser muito valiosas nessa fase da pesquisa: as bases eletrônicas de dados bibliográficos e as bibliotecas eletrônicas de periódicos. As bases eletrônicas de dados bibliográficos, como a Web of Science (http://apps.isiknowledge.com/) e a Scopus (www.scopus.com), armazenam informações sobre artigos publicados em revistas acadêmicas, incluindo muitas vezes seus abstracts e as referências citadas. As bibliotecas eletrônicas de periódicos, como o Jstor (www.jstor.com) e a brasileira Scielo (www.scielo.br) armazenam os textos integrais dos artigos publicados nos periódicos selecionados. Tanto as bases como as bibliotecas mencionadas são muito rigorosas com a seleção dos periódicos e certamente contemplarão as principais revistas internacionais e nacionais. Elas também possuem poderosas ferramentas de busca que permitem localizar facilmente os artigos sobre um certo tema. Uma busca por “Getulio Vargas” na Web of Science retornou 27 itens e a mesma busca na Scopus, 40. O Jstor apontou para 22 com a expressão “Getúlio Vargas” no Título ou no Abstract e o Scielo retornou 41 artigos com as palavras “Getulio” e “Vargas” no Título ou no Abstract. Vários desses itens são de outras áreas de pesquisa, como epidemiologia ou mineralogia, e são facilmente descartados verificando os títulos, o assunto ou as revistas nas quais foram publicados. Para cada um dos artigos selecionados é possível identificar, na maioria dos casos, quantas vezes um artigo foi citado e a bibliografia por ele citada. O número de citações pode ser considerado como um dos indicativos da relevância do artigo em questão. A comparação entre as diferentes bibliografias de artigos e livros permitirá concluir quais daqueles mais de cem itens inicialmente identificados são os mais importantes, quais os autores mais relevantes para a pesquisa e quais as revistas que concentram o maior número de artigos sobre o tema, além de outras informações que podem ajudar a investigação.

Referências bibliográficas

BIANCHI, Alvaro. Como fazer referências bibliográficas? 2008. Disponível em: http://blog.pensamentopolitico.com.br/2008/08/05/como-fazer-referencias-bibliograficas/

ECO, Umberto. Como se faz uma tese. São Paulo: Perspectiva, 1989.

Uncategorized & disciplinas admin em 02 Mar 2009

HZ341 – Política III: Teoria do Estado I

IFCH/Unicamp
Prof. Dr. Alvaro Bianchi
1º Semestre de 2009

I Objetivo: O curso tem o objetivo de introduzir alguns dos principais temas de análise sobre o Estado contemporâneo: poder político e classes sociais, burocracia e parlamentarismo, democracia e direitos. O curso abordará esses temas primeiramente a partir das teorias marxiana e weberiana para, a seguir, apresentar alguns enfoques que, no começo do século XX, procuraram a partir do dialogo crítico com essas teorias tratar desses temas.

II – Programa:

1. Marxismo e teoria do Estado
1.1. A dissolução do sistema hegeliano
1.2. Estado, política e classes sociais
1.3. Comunismo, anarquismo e o fim do Estado

2. O Estado contemporâneo e a burocracia
2.1. Poder, dominação e associação política
2.2. O Estado racional
2.3. Parlamentarismo e democracia

3. Estado, democracia social e liberalismo
3.1. Estado e democracia social
3.2. Estado, democracia e liberdade

4. Estado e sociedade civil

III – Cronograma

05/mar Apresentação do curso

A dissolução do sistema hegeliano

Leitura obrigatória:
MARX, Karl. Crítica da filosofia do direito de Hegel. São Paulo: Boitempo, 2005, p. 41-60.

Leitura complementar:
BIANCHI, Alvaro. A mundanização da filosofia: Marx e as origens da crítica da política. Trans/Form/Ação, n. 29, p. 43-64, 2006.

12/mar Estado, política e classes sociais

Leitura obrigatória:
MARX, Karl. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 1998.

19/mar Democracia e bonapartismo

Leitura obrigatória:
MARX, Karl. O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte. In: MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Obras escolhidas. São Paulo: Alfa-Ômega, s.d., v. 1, p. 199-285.

Leitura complementar:
BOITO Jr., Armando. Estado, política e classes sociais. São Paulo: Editora da Unesp, 2007, p. 137-151.

26/mar Mesas redondas sobre o pensamento político de Antonio Gramsci

02/abr Comunismo anarquismo e o fim do Estado

Leitura obrigatória:
MARX, Karl. A guerra civil na França. In: MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Obras escolhidas. São Paulo: Alfa-Ômega, s.d., v. 2, p. 64-100.
BAKUNIN, Mikhail. Carta ao jornal La Liberté, de Bruxelas. In: Escritos contra Marx. São Paulo: Imaginário, 2001, p. 15-48.

Leitura complementar:
LENIN, Vladimir Ilitch. O Estado e a revolução: o que ensina o marxismo sobre o Estado e o papel do proletariado na revolução. São Paulo: Hucitec, 1983.

09/abr Recesso

16/abr Teorias sociológicas e teorias jurídicas do Estado

Leitura obrigatória:
JELLINEK, Georg. Teoría general del Estado. México: Fondo de Cultura Económica, 2000, p. 159-196.

23/abr Poder, dominação e associação política

Leitura obrigatória:
WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília: UnB, 1999, v. 1, p. 33-35, v. 2, p. 517-543.

30/abr O Estado racional

Leitura obrigatória:
WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília: UnB, 1999, v. 2, p. 543-580.
WEBER, Max. A política como vocação. In: Ensaios de sociologia. 5 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982, p. 97-153.

07/mai Parlamentarismo e democracia I

Leitura obrigatória:
WEBER, Max. Parlamentarismo e governo em uma Alemanha reconstruída. In: Ensaios de sociologia e outros escritos. São Paulo: Abril Cultural, 1974, prefácio, cap. II, IV e V (col. Os pensadores, XXXVII).

14/mai Parlamentarismo e democracia II

Leitura obrigatória:
SCHMITT, Carl. A crise da democracia parlamentar. São Paulo: Scritta, 1996, p. 1-48.
KELSEN, Hans. O problema do parlamentarismo. In: A democracia. São Paulo: Martins Fontes, 1993, p. 109-135.

Primeira avaliação (P1)

21/mai Revisionismo e social-democracia

Leitura obrigatória:
BERNSTEIN, Eduard. Socialismo evolucionário. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 1997, p. 109-145.
HELLER, Hermann. Teoria do Estado. São Paulo: Mestre Jou, 1968, p. 157-172.

28/mai Estado e democracia social

Leitura obrigatória:
HELLER, Hermann. Teoria do Estado. São Paulo: Mestre Jou, 1968, p. 241-294.

04/jun Estado, Direito e direitos

Leitura obrigatória:
KELSEN, Hans. Compendio de teoria general del estado. Barcelona: Bosch, 1934, parte I e III.

11/jun Recesso

18/jun Estado, democracia e liberdade

Leitura obrigatória:
KELSEN, Hans. Essência e valor da democracia. In: A democracia. São Paulo: Martins Fontes, 1993, p. 23-134.

Leitura complementar:
KELSEN, Hans. Teoria geral do direito e do Estado. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 407-432.

25/jun Estado e sociedade civil

Leitura obrigatória:
GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999, v. 3, Caderno 13.

Leitura complementar:
BIANCHI, Alvaro. O laboratório de Gramsci: filosofia, história e política. São Paulo: Alameda, 2008, p. 173-198.

02/jul Segunda avaliação (P2)

Bibliografia:

BAKUNIN, Mikhail. Escritos contra Marx. São Paulo: Imaginário, 2001.
BERNSTEIN, Eduard. Socialismo evolucionário. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 1997.
BIANCHI, Alvaro. A mundanização da filosofia: Marx e as origens da crítica da política. Trans/Form/Ação, n. 29, p. 43-64, 2006.
BIANCHI, Alvaro. Democracia e revolução no pensamento de Marx e Engels (1847-1850). Outubro, n. 16, p. 109-143, 2007.
BIANCHI, Alvaro. O laboratório de Gramsci: filosofia, história e política. São Paulo: Alameda, 2008.
BOITO Jr., Armando. Estado, política e classes sociais. São Paulo: Editora da Unesp, 2007.
GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999, v. 3
HELLER, Hermann. Teoria do Estado. São Paulo: Mestre Jou, 1968.
JELLINEK, Georg. Teoría general del Estado. México: Fondo de Cultura Económica, 2000.
KELSEN, Hans. Compendio de teoria general del estado. Barcelona: Bosch, 1934
KELSEN, Hans. Teoria general del estado. Mexico: Nacional, 1965.
KELSEN, Hans. A democracia. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
KELSEN, Hans. Teoria geral do direito e do Estado. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
LENIN, Vladimir Ilitch. O Estado e a revolução: o que ensina o marxismo sobre o Estado e o papel do proletariado na revolução. São Paulo: Hucitec, 1983.
MARX, Karl. A guerra civil na França. In: MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Obras escolhidas. São Paulo: Alfa-Ômega, s.d., v. 2, p. 39-103.
MARX, Karl. Crítica da filosofia do direito de Hegel. São Paulo: Boitempo, 2005.
MARX, Karl. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 1998.
MARX, Karl. O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte. In: MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Obras escolhidas. São Paulo: Alfa-Ômega, s.d., v. 1, p. 199-285.
SCHMITT, Carl. A crise da democracia parlamentar. São Paulo: Scritta, 1996.
WEBER, Max. A política como vocação. In: Ensaios de sociologia. 5 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982, p. 97-153.
WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília: UnB, 1999, 2v.
WEBER, Max. Parlamentarismo e governo em uma Alemanha reconstruída. In: Ensaios de sociologia e outros escritos. São Paulo: Abril Cultural, 1974, p. 7-91 (col. Os pensadores, XXXVII).

Uncategorized & intervenções admin em 08 Jan 2009

Nota de repúdio e solidariedade

Os editores das revistas abaixo relacionadas manifestam publicamente seu mais firme e veemente repúdio à operação de extermínio desencadeada pelo Estado de Israel contra o povo palestino na Faixa de Gaza. Inegável é reconhecer que a política genocida de Israel contra os palestinos é beneficiária do apoio direto do imperialismo norte-americano e demais potências imperialistas. Entendemos que a possibilidade de uma paz duradoura no Oriente Médio impõe que o governo dos Estados Unidos e as demais potências imperialistas cessem sua política intervencionista na região e que a legítima reivindicação histórica de criação do Estado livre e independente da Palestina se transforme em concreta e imediata realidade.

Diante das atrocidades em curso, os editores das publicações signatárias manifestam sua mais viva e irrestrita solidariedade à heróica resistência do povo palestino.

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Les éditeurs des revues citées ci-dessous expriment publiquement leur plus ferme et vehémente répudiation de l’opération d’extermination déclenchée par l’État d’Israël contre le peuple palestinien dans la bande de Gaza. Il est indéniable que la politique de génocide d’Israël contre les Palestiniens bénéficie de l’appui direct de l’impérialisme américain et des autres puissances impérialistes. Nous pensons que pour rendre possible une paix durable au Moyen-Orient il est impératif que le gouvernement des États-Unis et des autres puissances impérialistes mettent fin à leur politique interventionniste dans la région et que la légitime revendication historique de la création de l’État libre et indépendant de Palestine se transforme en une concrète et immédiate réalité.

Face aux atrocités en cours, les éditeurs des publications signataires manifestent leur plus vive et illimitée solidarité à la résistance héroïque du peuple palestinien.

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The editors of the magazines listed below would like to publicly express their firmest, most vehement repudiation of the state of Israel’s extermination of the Palestinian people in the Gaza Strip. Israel’s policy of genocide against the Palestinians undeniably enjoys the direct support of North American imperialism and other imperialist powers. We understand that lasting peace in the Middle East requires that the government of the United States and other imperialist powers cease their interventionist policies in the region and that the legitimate historical claim for the creation of a free, independent state of Palestine become a concrete, immediate reality.

In the face of the atrocities taking place, the editors of the publications signatory to this letter express their keenest, most unconditional solidarity with the heroic resistance of the Palestinian people.

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Los editores de las revistas abajo mencionadas manifiestan públicamente su más firme y vehemente repudio a la operación de exterminio desencadenada por el Estado de Israel contra el pueblo palestino en la Franja de Gaza. Es innegable que la política genocida de Israel cuenta con el apoyo directo del imperialismo norte-americano y las demás potencias imperialistas. Entendemos que para hacer posible una paz duradera en Medio Oriente se impone que el gobierno de los Estados Unidos y las demás potencias imperialistas pongan fin a su política intervencionista en la región y que la legítima reivindicación histórica de la creación del Estado libre e independiente de Palestina se transforme en concreta e inmediata realidad.

Frente a las atrocidades en curso, los editores de las revistas que abajo firman manifiestan su más viva e irrestricta solidaridad con la heroica resistencia del pueblo palestino.

ALTERNATIVES SUD - Bélgica

AMÉRICA LATINA EN MOVIMENTO - Equador

AMÉRICA LIBRE - Argentina

ANTÍTESE - Brasil

CAMINOS - Cuba

CAROS AMIGOS - Brasil

CASA DE LAS AMÉRICAS - Cuba

CONTRETEMPS - França

CRÍTICA MARXISTA - Brasil

CRÍTICA Y EMANCIPACIÓN - Argentina

DARIO VIVE - Argentina

EM DEBATE – Brasil

ESTRATÉGIA INTERNACIONAL - Brasil-França

FORUM - Brasil

HERRAMIENTA - Argentina

HISTÓRIA & LUTA DE CLASSES - Brasil

INTERNATIONAL SOCIALIST REVIEW - Estados Unidos

ISKRA - Brasil

LE MONDE DIPLOMATIQUE - Brasil

LUTAS & RESISTÊNCIAS - Brasil

LUTAS SOCIAIS - Brasil

MAISVALIA - Brasil

MARGEM ESQUERDA - Brasil

MARXISMO VIVO - Brasil

MONTHLY REVIEW - Estados Unidos

NOVOS RUMOS - Brasil

NOVOS TEMAS DE CIÊNCIAS HUMANAS - Brasil

OUTUBRO - Brasil

PATRIA GRANDE - Bolívia

PERIFERIAS - Argentina

PRENSA DE FRENTE- Argentina

PRINCÍPIOS - Brasil

PUNTO FINAL - Chile

REVISTA DO BRASIL - Brasil

REVISTA DE OSAL - Argentina

REVISTA SEM TERRA - Brasil

RUBRA - Portugal

RUTH CUADERNOS DE PENSAMIENTO CRÍTICO - Panamá

SHIFT - Portugal

SOCIALISM AND DEMOCRACY – EUA

TEMAS - Cuba

TEORIA & DEBATE - Brasil

TRAYECTORIAS - Argentina

UTOPIA Y PRAXIS LATINOAMERICANA - Venezuela

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